Ser chique num cruzeiro é mais do que acertar na roupa
Especialistas afirmam que elegância, numa viagem de navio, está muito mais ligada ao comportamento do que ao visual adotado a bordo
Publicado em 17/12/2009 | LUCIANE HORCEL - gazeta do povo
“Minha nossa, que roupa eu vou levar!” Essa foi a primeira preocupação da curitibana Estela Marina Andrade, 62 anos, logo que recebeu o convite dos filhos para ir à sua primeira viagem de navio em janeiro deste ano. A dúvida da dona de casa, inclusive, é muito comum entre os cruzeiristas de primeira viagem e, não é raro, muitas pessoas deixarem de fazer um tour em alto-mar com medo de se constranger diante de algo requintado demais. A boa notícia, no entanto, é que no Brasil a maioria dos cruzeiros oferece viagens despojadas e não exige sofisticação por parte dos passageiros.
Divulgação
“Como eu nunca tinha feito um cruzeiro, imaginava que lá era tudo muito sofisticado, chique. No fim das contas, os trajes mais finos nem saíram da mala. Lá todo mundo ficou à vontade. Foi maravilhoso", Estela Marina Andrade, 62 anos, que fez seu primeiro cruzeiro (entre Santos e Búzios), em janeiro deste ano
Etiqueta em alto-mar
Como chegar
A melhor forma de ir até o porto do embarque é usando os serviços de traslados que as companhias de cruzeiros oferecem. Mas é preciso tomar cuidado, porque eles seguem horários rígidos. Ou seja, nada de atraso. Caso não tenha essa opção, há sempre estacionamentos próximos ao porto com pacotes atrativos para o período do cruzeiro — uma boa alternativa para famílias. Caso parte do deslocamento seja por avião, é preciso observar a questão do volume da bagagem.
Além do mito da roupa, várias outras dúvidas rondam a cabeça de quem vai embarcar num navio pela primeira vez. Saber o que é indispensável na mala, quanto de dinheiro é necessário e que medicamentos devem ser levados, são alguns dos questionamentos mais comuns de quem vai estrear no mundo dos cruzeiros.
De acordo com Renatha Garcia Galletti, gerente de operações da Qualitours, operadora especializada em cruzeiros marítimos, antes de pensar no con teú do da bagagem, na farmacinha ou na quantia que vai pôr na carteira, o passageiro precisa definir bem o que quer daquela viagem, para não se decepcionar.
“O navio deve atender ao perfil do turista. É preciso analisar qual o tempo disponível para a viagem, data, locais que já conhece ou que gostaria de conhecer, o que espera da viagem, em que tipo de navio ficaria mais à vontade, se prefere roteiros que fiquem mais dentro do navio ou que tenham mais paradas turísticas.
Têm pessoas que são capazes de passar meses nos navios sem qualquer problema. Para esses, os tours pela Europa, que vão de 7 a 14 dias são bem indicados. Já os que têm pouco tempo disponível ou ainda desconfiam se vão gostar ou não do tipo de viagem, os minicruzeiros são as melhores opções”, explica Renatha.
Milla Mathias, consultora de imagem, que presta serviços para agências de viagem orientando os passageiros a preparar a mala e dando outras dicas de etiqueta e comportamento, lembra ainda que não dá para esquecer que ir a um cruzeiro significa ficar confinado em um espaço, convivendo com as mesmas pessoas por vários dias.
Diante disso, um bom comportamento é fundamental. “O respeito ao próximo é o mais im portante. A dica é: aja melhor do que se estivesse na sua própria casa e lembre-se de que todos o veem o tempo todo. Isso também vale para as festas.
Procure não se empolgar de mais com as bebidas. Lembre-se que existe o dia seguinte e você vai encontrar as mesmas pessoas de manhã”, lembra a especialista, que também atua como personal shopping de passageiros, ou seja, depois de avaliar o que o viajante precisa levar, ela orienta sobre o que está faltando e, até, vai às compras com o viajante para completar a mala de viagem.
Caso não tenha essa opção, há sempre estacionamentos próximos ao porto com pacotes atrativos para o período do cruzeiro — uma boa alternativa para famílias. Caso parte do deslocamento seja por avião, é preciso observar a questão do volume da bagagem.
Farmacinha básica
Todos os navios dispõem de estrutura de atendimento médico, com profissionais que têm no mínimo três anos de experiência e equipamentos para exames e atendimento de urgência, mas os procedimentos de atendimento variam de acordo com os navios. Na grande maioria das embarcações, não há farmácia a bordo para compra livre de medicamentos e não se fornece remédios a não ser que o passageiro passe por uma consulta com o médico a bordo.
O ideal é levar os medicamentos que se está acostumado a tomar. Não há um número máximo de medicamentos permitidos e não é restrito levar xaropes ou cremes. Se o médico a bordo receita um Dorflex, por exemplo, o comprimido deve custar em torno de US$ 2, fora a consulta que também é cobrada e custa entre US$ 60 e US$ 100. Por isso, recomenda-se que os passageiros tenham seguro, para pedido de reembolso da consulta.
Arrumando as malas
Roupas leves – como blusas frescas, shorts e roupas de banho – são as mais recomendadas para passar os dias a bordo. Opte pelas cores mais claras e roupas de tecidos naturais, como o algodão, pois são leves e deixam a pele respirar. A atenção maior deve ser na hora de adequar a roupa ao evento no cruzeiro.
Há viagens com noites de festa mais glamorosas. Então, a sugestão é que o homem leve um terno escuro e a mulher, um vestido longo. Geralmente os navios que navegam pelo Brasil não têm isso e as roupas podem e devem ser totalmente relax. Mas é preciso ter bom senso.
Não se deve ir ao restaurante, nem tomar café, em trajes de banho. Use uma camiseta com short ou vestido. Ninguém é obrigado a tomar café da manhã com uma pessoa desconhecida seminua do lado. Um casaquinho também é bem-vindo. Não pode faltar ainda um lenço, camiseta ou algo para jogar nas costas quando sair do tempo quente e úmido, que faz ao ar livre, e entrar nas áreas fechadas do navio, onde o ar-condicionado é bem forte (gira em torno do 20º).
Enjoo a bordo
Um dos maiores medos de quem nunca foi a um cruzeiro, é passar os dias de viagem meio mareado: com muito enjoo por conta do forte balanço do navio. Para começar, nem todos enjoam e os navios não balançam tanto assim. Com a tecnologia atual, os navios são muito estáveis, mas é possível que, em certas ocasiões, alguns hóspedes sintam desconforto pelo balanço ou pelas condições climáticas. Contudo, é fato que a grande maioria das pessoas não enjoa, sobretudo em mares calmos como na nossa costa e no Caribe. Para evitar enjôos, não deixe o estômago vazio e, quando estiver um pouco mareado, procure um local no navio onde esteja balançando menos.
Dinheiro ou cartão?
As contas do navio podem ser pagas em dólares, cartão ou, no caso de cruzeiros na costa brasileira, até em reais. Os gastos do passageiro dependem muito dos seus hábitos. Se ele prefere tomar vinhos ou outras bebidas alcoólicas como destilados, que são mais caros, recomenda-se até uns US$ 50 por pessoa, por dia. Uma dica importante: quem pretende utilizar cartão de crédito, deve avisar a instituição financeira sobre a viagem de navio. Isso porque se a pessoa faz uma compra no navio e paga no cartão, a moeda corrente é dólar. Se no mesmo dia o navio fizer escala em Búzios, por exemplo, e a pessoa pagar algo em reais, o sistema pode achar que o cartão foi clonado e bloqueá-lo. Outra dica é com relação às gorjetas. Os navios na costa brasileira já incluem gorjetas no momento do pagamento da tarifa, os internacionais normalmente cobram a bordo.
Gazeta do Povo
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